fonte: O Globo
Dados do IBGE mostram que a população brasileira está envelhecendo. Não por acaso, a preocupação com o bem-estar na terceira idade tem aumentado. E os idosos que moram na região da Barra não têm do que se queixar: há projetos cada vez mais elaborados para eles, nas praças, nas salas de aula, nas academias e até em retiros. De exercícios físicos a interações com crianças. O resultado é mais alegria, melhora da saúde e o surgimento de novas amizades. O grupo de terceira idade que se exercita todos os dias pela manhã na Praça do Pomar, no Jardim Oceânico, é inspirador. Há bolas, bambolês e bastões, tudo muito colorido, para que pessoas a partir dos 55 anos se exercitem.
— Somos muito amigos. Fazemos eventos especiais, como festa junina. Tudo vira motivo. Eu moro sozinha, e é bem chato. Depois que passei a vir para cá, há dois anos, ganhei várias companhias — conta Maria Ferrari, de 88 anos.
TROCA DE EXPERIÊNCIAS QUE MOTIVA
Aprender a dar atenção à terceira idade é uma preocupação que pode começar ainda cedo. Uma das frentes de ação social do colégio Cruzeiro, de Jacarepaguá, é levar os alunos para interagir com idosos que moram no Retiro Humboldt, no mesmo bairro. Os internos, com idades entre 80 e 97 anos, esperam, arrumados e ansiosos, pelos jovens, com idades entre 11 e 14 anos, uma vez por semana. Entre as atividades, narração de histórias e, principalmente, uma bela troca de experiências.
— Achei que viria aqui para alegrar a vida deles, mas são eles que alegram a minha. Aprendo muito com tudo o que me dizem aqui — diz Carolina Hermes, de 14 anos, que há dois visita os idosos.
O carinho é recíproco.
— Amo criança. É uma beleza quando eles chegam. E, quando mudam as turmas das visitas, é uma choradeira só. Eles nos abraçam muito — conta Clotilde Margarida da Silva Brito, de 90 anos, moradora do retiro.
Impecável, Clarício Martins Silva, de 97 anos, é um show à parte: chama a atenção dos estudantes pela alegria.
— Quando as crianças chegam, batem nos quartos e nos chamam. É bacana ter essa troca — comenta.
CORPO SÃO, MENTE MAIS SÃ AINDA
A academia Rio Sport Center tem o projeto Take Care, que funciona há dois anos e meio. Os idosos têm dinâmicas de grupo, assistem a vídeos, são avaliados fisicamente por profissionais especializados e fazem exercícios específicos para cada caso.
— As pessoas normalmente chegam aqui com doenças como depressão. A gente mostra a eles a importância da alegria, de eles se cuidarem de verdade, com consciência. É um processo de dentro para fora e, por isso, dá tão certo — diz geriatra e médica do estilo de vida Silvia Lagrotta, coordenadora do projeto.
Quem também está de bem com a vida são os alunos — entre 60 e 93 anos — do programa Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati), que funciona na unidade da Taquara da Unisuam. Todos capricham no visual: as mulheres usam batom e abusam dos acessórios, e os homens surgem perfumados, alguns até de chapéu panamá.
Criado há dois anos, o programa oferece aulas de informática, de prevenção de acidentes e para a memória — atividade que causa frisson entre os alunos, que disputam para ver quem acerta os exercícios propostos pela professora e coordenadora Rose da Silva Sobral.
— O ambiente é muito bom. Ganhamos uma porção de amigos. Nós nos falamos por redes sociais e marcamos almoços. Assim envelhecemos melhor — diz Lenir de Carvalho Mattos, de 72 anos.
— Ganhei um computador na semana passada e agora estou focado nas aulas de digitação. Aprendemos muito aqui, todos têm paciência com a gente — festeja Felizberto Ferreira de Lima, de 82 anos.