Novidades tecnológicas utilizadas na proteção de condomínios e residências

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ago_tecnofonte: O Globo

Imagine que você, novo morador, entra no seu prédio sem dizer seu nome ou usar uma chave. Só olha para uma câmera, e o portão se abre instantaneamente. Ao chegar ao seu apartamento, coloca o dedo na fechadura ou apenas dá um comando de voz, e entra. E se sua bicicleta sumiu, por exemplo, basta acionar a segurança do edifício, e será possível ver, com nitidez e detalhes, o rasto de quem cometeu o furto, mesmo que tenha sido há uma semana.

Assim como há sempre novas técnicas de furto, a tecnologia também avança para deixar os condomínios mais seguros. Alguns desses mecanismos nem chegaram ao mercada outros foram rapidamente adotados, e há ainda os que não se tornaram populares, seja por causa do alto custo ou pela resistência dos moradores em aderir a novos processos.

Um desses sistemas novos faz um reconhecimento facial em três segundos. O Sigah, que foi desenvolvido em parceria com uma empresa israelense, ficou em teste por mais de um ano e este mês chega ao mercado. Segundo Samuel Rubens Pereira, diretor operacional do Grupo Haganá, o equipamento surgiu a partir de uma percepção de que. embora queira segurança, em geral, o morador não gosta de parar para dar informações ao porteiro, passar algum cartão ou fazer qualquer coisa que demore e interrompa seu acesso à sua casa.

– O morador não precisa ter controle remota nem se identificar ou digitar nada. Em trés segundos, sua face é reconhecida. Basta se apresentar e abrimos para ele. O objetivo é ter a maior velocidade de reconhecimento possível – conta.

Pereira explica que, no caso de carros, o sistema é um pouco diferente. Um funcionário específico, que pode ser do condomínio ou terceirizado, usa um smartphone para fazer a leitura facial instantânea do motorista e dos passageiros. Feita a identificação, o portão pode ser aberto manual ou automaticamente. Tanto a pé quanto no veículo, quando não há reconhecimento, o cadastro de entrada é feito na portaria, para que a pessoa possa entrar.

– Podemos deixar o portão abrindo automaticamente ou não. Nossa indicação é que esse controle de acesso continue sendo da portaria. Mas tem outros itens importantes que devem ser considerados, como evitar a entrada de duas pessoas que não estão juntas e não foram identificadas ao mesmo tempo, assim como observar se o morador está dominado dentro do carro, por exemplo. É sempre melhor ter um funcionário para executar tarefas como essas – pontua.

João Ferraz, gerente de negócios da Apsa, conta que o que está em alta hoje nos condomínios é o contato via vídeo com o porteiro, uma espécie de interfone com áudio e imagem. Segundo ele, é uma tecnologia que, apesar de já existir há algum tempo, só começou a ser usada recentemente. Em vez de o porteiro atender o visitante frente a frente, ele faz isso de dentro de uma cabine, às vezes blindada. Isso dá segurança tanto ao funcionário quanto ao condomínio.

Essa tecnologia não é tão recente, mas começou a ser aplicada agora. Ela muda o conceito do trabalho do porteiro, e ele precisa de um treinamento específico. Nesse sistema, quem está na portaria pode tanto acionar o interfone para pedir a autorização do morador, como entrar em contato com ele por telefone. O comando pode vir até pelo smartphone do condômino, que consegue ver quem está na entrada – diz Ferraz. O especialista afirma que há outros sistemas importantes para aumentar o nível de segurança:

– Entre os modelos mais avançados e específicos para condomínios, há também o que se utiliza de dois portões , que mantêm o carro estacionado entre eles enquanto é feita a verificação. O segundo portão só abre depois de o primeiro fechar. Existem ainda a leitura da placa do veículo e a biometria, tanto na portaria quanto na fechadura da porta de entrada do apartamento.

Raimundo Castro, consultor de segurança do Sindicato da Habitação (Secovi Rio), acrescenta outros dois sistemas que têm ganhado espaço nos condomínios: as cabines blindadas e a modernização do circuito fechado de TV.

– O circuito de TV é hoje a principal ferramenta, tanto que a própria polícia usa suas imagens para identificar suspeitos. As câmeras estão mais modernas, muitas vezes móveis e com abrangência de 360 graus. Até há pouco tempo, o que se tinha eram imagens nem sempre tão claras e peças fixas. Agora, é possível ver, gravar e ampliar com alta definição.

SEGURANÇA JÁ NO PAPEL

Castro também defende o uso de dois portões como um sistema eficaz. Segundo ele, mais de 90% dos assaltos começam com a entrada dos bandidos pela porta da frente ou pelo acesso à garagem, especialmente quando o portão se fecha muito lentamente. Por isso, quanto mais o sistema elimina a vulnerabilidade do portão, melhor, afirma.

A segurança fica a cargo da administração do condomínio, seja ela direta ou terceirizada, mas a responsabilidade é de todos. E, como sempre há novidades, cabe ao sindico fazer as mudanças. Atualmente, em muitos casos os sistemas de proteção já são inseridos no projeto antes mesmo de o residencial sair do papel.

Claudio Hermolin, vice-presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), explica que o item segurança é o primeiro ou segundo ponto mais importante em avaliações de mercado antes de um lançamento.

– Por conta disso, temos que pensar cada vez mais no assunto quando desenvolvemos um projeto, tanto no espaço periférico, quanto no comum e, até, nas unidades. No passado, as empresas deixavam a previsão de instalação e, só depois, o condomínio adquiria os equipamentos. Mas, como esse item tem chamado a atenção, as construtoras já fazem a entrega do prédio com tudo ou quase tudo pronto. O tipo de segurança e o sistema utilizado vão depender da tipologia e do porte de cada empreendimento. Quando há vários blocos e uma portaria principal, o portão duplo é uma boa opção, afirma Hennolin.

Em casos em que a portaria é exposta à rua, uma cabine blindada é indicada, ao contrário das que ficam mais recuadas. Para Denise Muty, presidente do Sindicato das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança do Estado do Rio de Janeiro (Siese-RJ) e da empresa Ser Prime, uma das grandes novidades é a associação de sistemas independentes de segurança. Apesar da tendência, ela explica que. mesmo com os avanços tecnológicos, alguns não se popularizam por terem alto custo, ou até mesmo por resistência dos moradores.

– Antes o alarme e o sistema de acesso funcionavam separadamente. Hoje, vemos urna tendência para que sejam integrados. Isso já acontece em algumas empresas, mas nos condomínios ainda não chegou, pois o preço é alto. Porém, soluções de baixo custo começam a aparecer, como o porteiro eletrônico digital, em que o morador coloca uma senha para abrir, em vez de interfonar. Esse até já existe, mas os residenciais exploram pouco, pois tem a questão da cultura também – diz Denise, que explica:

– Às vezes, um condômino não quer esse sistema porque fica com medo de o filho adolescente passar a senha para um colega, por exemplo.

Pereira lembra que qualquer sistema de segurança precisa ser bem divulgado entre os moradores, para que esses possam conhecer e saber usá-lo, e explicado aos funcionários. É preciso ter adesão para que haja êxito, afirma.

Só tecnologia não adianta

O prédio tem câmeras móveis de 360 graus, portões duplos na entrada, identificação facial e portaria 24 horas. E, mesmo assim, um dia você pode chegar e encontrar o seu apartamento revirado. Isto, infelizmente, é mais comum do que se imagine, apontam os especialistas.

Não pela falta de monitoramento, mas pelo descuido de uma peça fundamental nesse sistema de segurança: as pessoas. Ao ouvir isso, é natural que se pense: mas eu cuido do meu prédio”, ou eu não deixo ninguém estranho entrar. O problema é que não é tão simples quanto parece. É na sutileza que o ladrão cria oportunidades.

Muitas vezes, temos a imagem do assaltante de rua, que usa uma arma pare levar seu celular. Nos condomínios, no entanto, quase sempre é diferente. O meliante chega bem vestido, às vezes tem bom papo e diz que conhece alguém, ou até mesmo finge estar perdido para distrair o morador ou porteiro.

Wlauder Robson, diretor de segurança do Instituto Pró-Sindico, conta que a maioria dos casos de furtos acontece por falhas de segurança na porta de entrada. Se antes o bandido se disfarçava de prestador de serviços, hoje, busca outras formas de enganar quem está na portaria, como se passar por morador.

– O criminoso usa várias métodos. Um deles é pedir informação e distrair o porteiro, enquanto o comparsa, vestido com roupa de grife e trajes característicos de quem mora naquele lugar, entra. A maioria das imagens que temos de furto é de pessoas que não parecem suspeitas. Outra tática que estão usando agora é chegar à portaria acompanhado de uma mulher que finge ser estrangeira e não entender o que o porteiro diz. Este, para se comunicar melhoz abre o portão, e ela e o parceiro entram – relata Robson. Segundo ele, que realiza cursos com instruções de segurança, as pessoas – sejam moradores, prestadores de serviço ou funcionários – devem trabalhar junto com a gestão do condomínio, que define as normas, e os recursos materiais.

Isolado, o sistema de proteção, por melhor que seja, não funciona. – A consciência tem que ser do grupo todo. Daí a importância de capacitar os funcionários e de orientar os moradores, pois ambos são pontos de vulnerabilidade. Segurança 100% não existe, mas é preciso dificultar a entrada de estranhos com trei namento, sistemas e consciência – afirma João Ferraz, gerente de negócios da Apsa.

TREINAMENTO É ESSENCIAL

Raimundo Castro, consultor de segurança do Sindicato da Habitação (Secovi Rio), recomenda a capacitação dos funcionários que trabalham na portaria. Além da atualização com os novos sistemas, cada vez mais avançados tecnologicamente, é importante orientar como agir e identificar possíveis ameaças, ressalta.

– Tem o que se diz amigo e vem acompanhado de uma criança, tem o entregador de flores, o suposto oficial de justiça, o falso policial. Todos têm que ter autorização para entrar, pois podem não ser o que afirmam. Então, deve-se pedir que eles apresentem os documentos para a identificação.

– Os equipamentos que temos hoje são excelentes, mas a maioria dos roubos acontece porque os porteiros deixam o suspeito entrar. Às vezes, a pessoa diz que conhece ou é amiga de alguém, e o funcionário, por considerar que ela tem boa aparência, permite a entrada. A maior dificuldade é o treinamento de pessoal – completa Mario Amorim, diretor geral da Brasil Brokers.

Essas dicas também servem para você, que é morador e, ao entrar em seu edifício, depara-se com um desconhecido: não se sinta mal ou grosseiro por fechar o portão e obrigar que ele se identifique ao porteiro.

Lembre-se de que o condomínio também lhe pertence. Você deixaria um estranho, por menos suspeito que seja, entrar na sua casa sem se apresentar?