Famosos empreendem com estabelecimentos de diferentes perfis na Barra

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famososfonte: O Globo

Desde que mundo é mundo, a instabilidade da carreira artística motiva profissionais dessa área a abrirem seus próprios negócios para fazer um pezinho de meia, em caso de falta de trabalho. Mas, como numa série de TV, pode-se dividir em temporadas a abertura de novos estabelecimentos nos quais há rostos conhecidos do grande público entre os sócios. De um ano para cá, foram pelo menos dez novos episódios — opa, empreendimentos —, com histórias bem variadas.

Bruno Gagliasso contribui para este total com participação em quatro empresas. A mais recente é a filial do box de crossfit CFP9 inaugurada no CasaShopping mês passado:

— Fechamos o primeiro mês com 170 alunos. Esperávamos metade desse número, mas a quantidade de matrículas superou as nossas expectativas.

A unidade é a terceira da rede e a segunda da Barra. O crossfit foi apresentado ao ator meses antes de ele estrelar a série “Dupla identidade”, de 2014. E foi amor ao primeiro treino:

— Precisava de um corpo trabalhado, mas não queria aquela coisa de academia, todo bombado. Jamais gostei de musculação, e, praticando crossfit, não me sentia malhando. É um estilo de vida. Minha alimentação mudou, passei a ter estímulo para treinar. Minhas aulas eram na areia da praia e, lá mesmo, criamos a CFP9, que começou com cinco alunos. De lá fomos para a Barrinha, onde, atualmente, temos 400 alunos. Depois, abrimos uma filial em Campinas e a do CasaShopping. O sucesso desse box novo prova que a Barra é um ótimo lugar para investir.

Em março, após uma loja no Aeroporto Santos Dumont e duas em São Paulo, Gagliasso inaugurou sua quarta unidade da nova-iorquina Burger Joint, no Fashion Mall. E já há planos para mais uma na cidade e outra na capital paulista.

— Quando estava me preparando para uma viagem a Nova York, um amigo me indicou a Burger Joint, que eu já conhecia e frequentava. Aí, ele comentou que queria trazer a rede para o Brasil e me chamou para ser sócio, mas disse que precisava convencer o dono a aceitar. Viajei, conversei com o cara e consegui autorização para abrir filiais não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina e na Flórida. Em breve, vamos abrir lojas em Orlando e Miami — diz o ator bom de negócios.

Recentemente, ele abriu com sócios também a Brave, uma startup com sede no Espaço Itanhangá que já lançou o CredPago, um aplicativo que permite fechar um contrato de locação de imóvel em meia hora; e o Garupa, para caronas em mototáxis. E vem aí a Forneria Gagliasso, com foco no delivery, que já existe no papel e, até julho, será inaugurada no Condado de Cascais.

— Ainda tenho o sonho de abrir aqui uma filial do Le Manjue, o restaurante orgânico que tenho em São Paulo. As pessoas me chamam de empresário, mas eu me considero um investidor, alguém que entende de criação e sabe se unir a bons sócios — diz ele.

Todos os negócios do ator integram a holding BGM13, inclusive o Espaço Gioh, salão de beleza inaugurado em novembro, também no shopping Itanhangá, ao lado de sua mulher, a atriz Giovanna Ewbank, e mais dois sócios.

SONHO DE CRIANÇA VIRA LOJA

Quando criança, o sonho de gente grande de Cacau Protásio era trabalhar com noivas e tudo o que envolvesse casamentos. Há dois anos, depois de formalizar a união com o fotógrafo Janderson Pires, com direito a cerimônia, vestido branco, véu e grinalda, a vontade renasceu e, assim, ia surgindo o embrião da empresa Bem Vestidas:

— Uma amiga já tinha essa loja há quatro anos e queria vender, porque a filha ia se formar em Veterinária e não queria investir no negócio. Depois que me casei e vi como é legal viver essa emoção, decidi seguir adiante com ela.

Há um ano, Cacau comprou a marca, que já estava sediada no Downtown, e levou-a para outra loja, no bloco 21 do mesmo shopping. Desde então, a atriz tem presenciado a ansiedade, as dúvidas e, claro, a felicidade de muitas noivas. Entre uma gravação e outra, ela faz questão de passar na Bem Vestidas para ver outros sonhos sendo realizados:

— No começo, oferecíamos vestidos de noiva, debutante, madrinha e daminha e ternos de noivo e pajem. Mas abri um loja na Praça da Bandeira e levei tudo o que não é de noiva para lá, onde as peças são vendidas a, no máximo, R$ 510. Aqui, só trabalhamos com aluguel.

Os preços variam de R$ 350 a R$ 950. Os modelos da Bem Vestidas são, em sua maioria, escolhidos por Cacau. Há opções de diversas cores, tamanhos e origens.

— Quando viajo de férias ou para alguma locação de filme, sempre fico de olho. Há dois anos, na minha primeira viagem internacional, para Nova York, trouxe duas malas grandes, cheias de vestidos. Não tenho fidelidade a marca alguma. Já trouxe peças do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, de São Paulo. E as noivas plus size também saem satisfeitas da nossa loja: oferecemos do número 34 ao 58 — conta ela.

Antes de alugar um vestido na loja de Cacau, a noiva, quem sabe, pode promover uma despedida de solteira na Pizzaria Skipper, ali pertinho, na Avenida Olegário Maciel. A marca, que nasceu em Búzios e fez sucesso entre os anos de 1992 e 2002, com mais de dez lojas em todo o estado, foi retomada este ano por Marcelo Serrado e seu irmão, Alexandre. A primeira unidade foi aberta na Barra, em janeiro.

— Quando surgiu a oportunidade de relançar a Skipper, o Alexandre me convidou para ser sócio dele. É bem interessante ver o dia a dia de uma pizzaria. Investi na rede com tranquilidade, por causa do know-how de mais de 25 anos do Alexandre na área (de gastronomia) — diz Marcelo.

O ator, que também é sócio da unidade do Leblon, inaugurada pouco depois, gosta de botar a mão na massa. Ele foi responsável por cuidar da estratégia de reposicionamento da marca, da programação musical da loja da Barra e também do desenvolvimento do cardápio da casa.

— A criação de pratos veganos foi o nosso ponto alto. Desenvolvemos uma mozarela feita com leite de castanha de caju e o sabor da pizza ficou excelente — cita Marcelo, que elegeu a que leva o nome da casa, com mozarela, gorgonzola, nozes e aipo, como sua preferida.

INSPIRADOS PELO ‘YEAH, MAN’

Sombra, água fresca, reggae e sabores locais foram a inspiração para o ator Marcello Antony e a mulher, Carolina, mergulharem no universo gastronômico. A Yámã Burger saiu do forno, em soft opening, em setembro, e abriu as portas para valer em janeiro. A casa na Avenida Olegário Maciel resume o que o casal — ao lado dos filhos — vivenciou em viagens à Jamaica, um dos destinos preferidos da família. A Olegário, apesar do burburinho, também é próxima à natureza e receptiva a diferentes tribos. E um dos pontos preferidos dos Antony no bairro em que moram.

O ambiente descontraído, a hospitalidade e as combinações de ingredientes e de técnicas incomuns no Brasil formam a base da hamburgueria, que preferiu não se apegar, ao menos não tanto, ao modelo americano. O projeto juntou a fome com a vontade de comer. Ou melhor, com o desejo de ter o próprio empreendimento.

— O nome Yámã é referência à expressão “yeah, man”, que os jamaicanos acabam pronunciando “yaman”. Eles dizem isso para tudo, e essa se tornou uma brincadeira na minha família — conta Antony.

O gosto por preparar lanches em casa para evitar os fast foods com alimentos ultraprocessados temperou o planejamento. Daí veio a ideia de expandir a produção para além da cozinha da família. Não sem antes os hambúrgueres passarem por quatro meses de testes e o crivo de amigos como João Villar, irmão de Carolina e sócio-administrativo do local. São quatro opções dos sanduíches, todos feitos com pães, molhos e blends artesanais. Os sucessos são o vegetariano Natural Mistyc, com shiitake inteiro; e o que leva o nome da casa, feito com molho jerk, um dos destaques da gastronomia jamaicana.

— O molho jerk é como o arroz e feijão deles. Os jamaicanos usam em qualquer comida, e ele é feito com várias especiarias. É um sabor muito característico da Jamaica. Gastronomia é uma viagem — opina Antony.

A atriz Mariana Ximenes certamente concorda. Ela costuma dizer que a chef Morena Leite, dona do Capim Santo, conquistou-a pelo estômago. Até julho do ano passado, o restaurante só tinha unidades em São Paulo e na Bahia.

— Quando surgiu a oportunidade de abrir uma filial aqui no Rio, eu quis participar — conta Mariana. — Eu e a Morena temos muito em comum, e a sociedade foi um processo natural. Tenho perfil de empreendedora. Minha profissão requer isso. Além de atriz, eu sou produtora. Agora, restaurante, é a primeira vez. E eu estou gostando bastante. Sou o tipo de pessoa que só se envolve em projetos nos quais acredita. E o Capim Santo é um deles. Quero saber dos pratos, das novidades, busco entender toda a dinâmica. Acho fundamental você saber o passo a passo do negócio.

Em janeiro, Christine Fernandes viu seu ano novo começar com muito brilho. Foi quando ela entrou na sociedade da marca de bijuterias masculinas e femininas ViAmei. As peças são vendidas por uma loja virtual (viamei.com.br), mas a casa da atriz, na Barra, funciona como um dos depósitos de colares, pulseiras e anéis feitos de metal, prata, madeira, miçangas e contas.

Em alguns casos a ideia é dar vazão a um segundo talento; em outros, investir bem o dinheiro ganho. Mas, como diz Cacau Protásio, a insegurança de uma profissão na qual muitas vezes se vive de projetos, também pesa:

— Ter um negócio próprio é uma forma de a gente ter sempre com o que contar.