fonte: O Globo
Alternativa para as vias lotadas de foliões de blocos tradicionais da Zona Sul, a orla da Barra da Tijuca e do Recreio dos Bandeirantes virou um desafio para o carnaval de rua deste ano. Os organizadores de blocos mais conhecidos na região esperam um aumento de pelo menos 20% do público nos desfiles devido à maior facilidade de acesso aos dois barros. Por conta disso, a Riotur não descarta promover ajustes em cima da hora na programação de operação de trânsito e infraestrutura para os foliões.
Há vários fatores que podem levar ao aumento de público. Entre os principais, será o primeiro carnaval com a linha 4 do Metrô em operação e com a nova via expressa Transolímpica (que incui um corredor de BRT) aberta. Fenômeno parecido já havia sido registrado em 2013, no primeiro carnaval após abertura do BRT Transoeste (Barra-Santa Cruz).
— Também existem outros fatores. Em comparação a 2016, o número de quarto de hotéis aumentou, atraindo mais turistas para a região da Barra da Tijuca. A tendência é que muitos desses visitantes acompanhem a movimentação da festa de rua nas proximidades de onde estão hospedados. Faremos um monitoramento constante sobre a movimentação do público. Por outro lado, as datas e horários de muitos desfiles naquela região coincidem com apresentações com as saídas de blocos da Zona Sul. Até que ponto pode haver uma mudança de compartamento de foliões, isso ainda temos que conferir. Vamos monitorar a movimentação, incluindo pelas câmeras do Centro de Operações da prefeitura. Se for necessário, faremos ajustes na operação — explicou o gestor do carnaval de rua da Riotur, Mário Felippo Júnior.
O fato é que o interesse pelo carnaval da região se registra em números. Ao todo, 21 blocos vão desfilar nesses bairros. Há casos de blocos com apresentações agendadas no mesmo dia e no mesmo local, mas em horários diferentes. Isso acontecerá, por exemplo, na segunda-feira de carnaval na avenida do Pepê. Em frente à Rua Érico Verissimo, ficará o Samba de Santa Clara das 8h às 13h. Logo depois, o espaço é do Isbarra, das 13h às 19h.
— A cada ano aparece mais gente. Se chegar a 80 mil pessoas este ano, não vou me surpreender até mesmo pela maior facilidade de acesso por transporte público. Isso se reflete inclusive no movimento na orla nos fins de semana. Uma das providências que tomamos foi contratar mais seguranças para permitir a apresentação da banda. Até 2016, eram 60 agentes. Este ano, teremos cem — disse o vice-presidente da Banda da Barra, Amir Kotaitr.
A Banda da Barra é uma das mais tradicionais do bairro e sai desde 1985. O desfile deste ano, que tem a dançarina Adriana Bombom como a madrinha, está marcado para o dia 19 das 13h às 18h (incluindo a concentração). A saída será do Posto 6 (do lado da réplica do bonde instalada na orla) e vai até a Praça do Ó.
Entre os estreantes de 2017, está a Banda Amigos da Barra. Este ano, será um desfile parado, com um trio elétrico montado na Praia do Pepê na altura da Rua Olegário Maciel. O evento está agendado para o próximo domingo a partir das 13h. Apesar de a banda não estar na lista oficial divulgada pela prefeitura no fim de janeiro, um dos organizadores, Marcelo Haidar, garante que todos os detalhes para obter a autorização já foram fechados.
— Este ano será uma espécie de pré-estreia do bloco, para desfilarmos para valer em 2018. Meu foco é reunir empresários da própria região. Como divulgamos pouco, é possível que não venha tanta gente de fora — disse Haidar, que como inovação terá o que define como um casal de musos: os modelos e namorados Nicole Bahls e Marcelo Bimbi.
No Recreio, onde o público dos desfiles costuma ser mais reduzido, a expectativa de organizadores dos blocos mais tradicionais também é de mais foliões na orla. Responsável pelo bloco Alegria do Recreio (sai no domingo de carnaval), Guilherme Rabello de Moraes estima que o público deste ano chegue a 8 mil.
— O bairro cresceu muito nos últimos anos. E tem cada vez mais gente no fim de semana por causa da facilidade de transportes – justificou Guilherme.
O presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, diz que a principal preocupação dos moradores é que, caso o aumento de público se confirme, haja PMs e guardas municipais em quantidade suficiente para garantir a segurança e a ordem urbana:
— Fora isso, carnaval é carnaval. Não dá para ser bairrista e achar que quem mora em outra região não tem que vir para cá durante a festa — disse Delair.