Novo superintendente da Barra disposto a eliminar gargalos

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thiagobarcelosfonte: O Globo

Uma das marcas do primeiro mês de gestão do prefeito Marcelo Crivella foi o fim das oito subprefeituras, substituídas por 17 superintendências de supervisão regional. Pelo novo modelo, a gestão da Barra da Tijuca e do Recreio foi separada da de Jacarepaguá, e ficou a cargo do administrador Thiago Barcellos, de 36 anos, que está voltando para casa. Casado com a primeira namorada, a dentista Marcela, com quem tem um relacionamento de 20 anos e dois filhos (Júlia, de 5 anos, e Marcelo, de 2), ele foi administrador regional do bairro em 2009, durante o mandato de Eduardo Paes. Três anos depois, assumiu a subprefeitura do Centro. Mas, hoje, é crítico do ex-aliado.

Qual será o maior desafio da sua gestão?

Em 2009, quando fui administrador regional, vi que Cesar Maia tinha abandonado a cidade para concentrar esforços nos Jogos Pan-Americanos. Ele deixou um legado de desordem; não havia conservação, por exemplo. A situação em que Eduardo Paes deixa a cidade após a realização dos Jogos Olímpicos é muito semelhante, mas muito mais grave, porque o tamanho do abandono é proporcional à grandeza dos eventos aqui realizados.

Nessa nova função, que marcas pretende deixar?

A região tem associações e entidades muito atuantes, que nos procuram o tempo todo. Quando fui subprefeito do Centro, não pude contar com isso, porque a sociedade civil não era organizada. Quero ter um canal permanente com as associações empresariais e de moradores e aproximar os órgãos da prefeitura que atuam na região. Facilitar essa comunicação entre os órgãos sem que a superintendência ou outros intermediários precisem ser acionados acelera a resolução dos problemas da nossa área de planejamento.

Que problema da região o preocupa mais?

Terei duas prioridades: o combate à desordem e o resgate da conservação. Quando assumi a função, o prédio que abriga a sede da superintendência estava sem luz havia 40 dias. Lá funcionam órgãos de fiscalização e controle que simplesmente não podiam atuar; não tinham como mandar funcionários para as ruas. É nesse vácuo de atuação do poder público que cresce a desordem.

Hoje você é um grande crítico do governo Paes, mas participou dele. Qual a razão da ruptura?

Decidi apoiar Crivella antes da campanha. Quando saí da subprefeitura do Centro, já estava muito decepcionado com os problemas que enfrentava para fazer meu trabalho, porque havia resistências inexplicáveis, devido a interesses políticos. Vi que Pedro Paulo (candidato do PMDB à prefeitura na última eleição) não se aproximava do que eu imaginava para a cidade.

Crivella mora no Recreio, na área de abrangência da superintendência. Ele fez algum pedido especial?

Sim. Ele tem uma preocupação muito grande com as crianças que estão diariamente nos sinais, e pediu para fazermos um trabalho especial com elas, via Secretaria municipal de Assistência Social. Pediu para ouvi-las, cadastrá-las, descobrir quem são seus responsáveis e o motivo de não estarem na escola. Ele é muito ativo; está sempre nos enviando demandas, principalmente por WhatsApp.

Separar as administrações de Barra e Jacarepaguá foi positivo para os bairros?

Acredito que sim, são bairros com características próprias e muito diferentes. Então, ter gestores próprios que trabalhem exclusivamente para suas demandas produzirá resultados muito positivos para as duas áreas.

Até que ponto o momento econômico do país e a situação das contas da prefeitura podem atrapalhar o trabalho? Afinal, a superintendência não tem orçamento próprio.

Precisamos ter criatividade e estar atentos à capacidade da iniciativa privada. Por exemplo, hoje existe a Associação Barra Segura, que instalou câmeras de monitoramento pelo bairro e compartilha as imagens com o Centro de Comando e Controle, do governo do estado e com o Centro de Operações Rio (COR), da Prefeitura. Nós podemos atuar no aspecto mais próximo do morador, pedindo e cobrando podas, iluminação pública e o fechamento de buracos, por exemplo.