fonte: Extra
Se a Prefeitura do Rio procura patrocinadores para o custeio da queima de fogos em Copacabana, os hotéis cinco estrelas já assumiram a explosão de cor em pelo menos quatro pontos da Barra da Tijuca. Pelo segundo ano consecutivo, o bairro promove eventos especiais para a entrada do Ano Novo. Desta vez, quer se consolidar como um polo da virada alternativo à Zona Sul, com apoio da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da cidade e do Rio CVB. Até o momento, os fogos cabem ao Windsor Barra, ao Hilton Barra, ao Sheraton Barra e ao Grand Hyatt, que já anunciaram inclusive a programação exclusiva da celebração.
No ano passado, a iniciativa da rede hoteleira da Barra lotou os empreendimentos cinco estrelas, que fecharam a noite com quase 100% de ocupação. Mesmo sem a divulgação de um estudo definitivo da procura pelos eventos, a ABIH-RJ informa que alguns deles já registram lotação superior a 80% para a próxima noite da virada. O objetivo é alcançar média de 60% na transição 2016-2017. Até aqui, há 50% de reserva. O investimento da última edição animou outros 10 hotéis a aderirem à organização de ceias, festas e shows na comemoração. Nas recepções, a associação promete um mapa da queima de fogos.
Na visão do presidente da ABIH-RJ e do Rio CVB, Alfredo Lopes, a Barra da Tijuca integra de forma definitiva o roteiro de quem viaja ao Rio. Logo, ele analisa, merece uma programação específica e à altura das tradicionais festas de Ano Novo da cidade — para quem não quer ou não pode se deslocar da Zona Oeste.
— A tradicional queima de fogos de Copacabana é uma experiência única, mas quem quer ficar mais afastado do burburinho ou simplesmente deseja aproveitar a virada em atrações alternativas e mais exclusivas encontra uma grande comemoração na Barra — garantiu Lopes, que exaltou o sucesso do evento-teste na ocasião do Dia dos Namorados.
NOITE DE FESTA
Além da confirmação da queima de fogos, os hotéis cinco estrelas já anunciaram a programação exclusiva, com shows e ceias especiais para os clientes. Com o tema “Um Safári na África”, o Windsor Barra vai oferecer open bar, estação de comida japonesa e 15 tipos de salada, pratos quentes e sobremesas, ao som da banda Anjos da Noite. Pioneiro em queima de fogos própria, o hotel cobra R$ 860 por pessoa. O Hilton planeja programação infantil, bufê com receitas típicas do fim de ano e o show de Leo Jaime, levado direto da festa de Copacabana, onde o cantor anima a virada antes de ir à Barra.
No Sheraton Barra, a comemoração é organizada no restaurante Terral, com ceia até 4h da manhã — e camarote com garçom e bebidas exclusivos. O ingresso custa R$ 879. Estreante na virada da cidade, o Grand Hyatt vai inspirar a festa no “espírito tropical” de um “Resort Urbano” e convidar o Monobloco e o DJ Pachu para a celebração, ao preço individual de R$ 900. Mas Lopes garante que o Ano Novo na Barra também vai abraçar quem não tem condições de despender a quantia.
— Estamos diante de uma crise político-financeira. Precisamos de mais criatividade, de menores preços. O Rio é privilegiado porque mostrou uma série de novas atrações que as pessoas querem ver. O Parque Olímpico, o AquaRio… Muita gente interessada em conhecer esse novo Rio — celebrou o presidente da associação sobre o “marketing positivo” da cidade. — Mas vai ter festa para todos os povos. Tem a praia também, que é livre. Você vai lá brindar e aproveita a queima de fogos dos hotéis.
O Bourbon Barra, por exemplo, oferece a alternativa de festa com ceia e show ao vivo por R$ 220 — com assento no centro de convenções, um pouco mais distante do bufê — e R$ 250 — com mesas já dentro do restaurante. O ingresso inclui o acesso ao Eco Lounge, na Praia da Reserva, em que o empreendimento vai promover música e bebida até 4h da manhã.
A associação ainda negocia com a Prefeitura apoio ao Réveillon da Barra. A ideia é angariar ajuda financeira para ampliar o número de pontos de queima de fogos e levar a festa a pontos que não abrigam hotéis.
— Vou chorar todas as pitangas para o [prefeito] Eduardo Paes na segunda-feira. Há lugares importantes para o bairro, como o cruzamento da Avenida das Américas e da Avenida Ayrton Senna. Só tem o Barra Shopping ali, com quem estamos tentando. O objetivo é uma cobertura de fogos geral, até o Recreio, que já tem pelo menos quatro hotéis de grande porte também — avaliou.
EM COPACABANA
O mais famoso Réveillon da cidade, que atrai mais de 2 milhões de pessoas na virada, ainda não tem planejamento definido. Embora a Prefeitura confirme a festa, ainda procura patrocinadores para custear, ao menos, a queima de fogos. Para isso, a Riotur precisou estender o prazo de entrega de propostas da iniciativa privada até 8 de dezembro. O prazo original, de 30 de setembro, terminou sem interessados.
Diante do cenário de incertezas, o município já decidiu economizar caso precise arcar com a celebração sozinho: até agora, há a confirmação de apenas um show — do “Grande Encontro” de Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo — em apenas um palco.
— Eliminamos um dos palcos. E decidimos assumir a despesa (cerca de R$ 2 milhões) para montá-lo. Nos últimos anos, os gastos com essas estruturas vinham sendo arcados pela iniciativa privada. Na nova versão do edital, a gente tenta manter com patrocinadores o custo com os fogos de artifício — explicou ao GLOBO o secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello.
O réveillon de Copacabana custa entre R$ 17 e R$ 20 milhões, segundo empresas que já participaram da organização da festa. Patrocinadores costumavam bancar cerca de 70% das despesas, pagando os fogos e a montagem de pelo menos dois palcos, além de telões e equipamentos de sonorização. O restante dos custos era coberto pela prefeitura: o município contrata atrações musicais, aluga balsas e cuida de todo o apoio logístico, incluindo a instalação de postos médicos.