fonte: O Globo
Os radares são novos. O asfalto também. Eles fazem parte da reforma feita na Avenida Lucio Costa, em toda a área da Reserva, para atender às necessidades da Olimpíada. Mas só obedece ao limite de velocidade o motorista que tem consciência no trânsito ou que não observa a posição das câmeras dos pardais. É que na metade dos seis pontos de fiscalização ao longo da Reserva as câmeras estão apontadas para o céu e não para a faixa de rolamento.
O motorista Henrique Gomes, que trabalha com seu carro, costuma passar pela via com frequência e observou o problema. Ele diz se sentir enganado com a situação.
— É um dinheiro jogado fora. Quanto foi investido ali para os radares não funcionarem? — questiona.
Gomes acredita que a simples presença dos radares intimida quem gosta de correr, já que a maioria dos motoristas não sabe que os equipamentos não estão registrando infrações. Mas teme que aqueles que sabem simplesmente desrespeitem o limite de velocidade e provoquem um acidente fatal.
— Quando acontecer um acidente grave e atingir uma pessoa, o poder público vai aparecer para dar uma desculpa esfarrapada e botar a culpa em alguma empresa (contratada para instalar os equipamentos) — reclama.
A jornalista Junia Braun mora no Recreio e trabalha na Barra. Costuma passar pela Praia da Reserva na volta para casa, quando já é noite. Ela diz que dirige na velocidade permitida, mas todos os dias flagra motoristas rodando acima do limite na via.
— Ali é um perigo. As pistas não têm divisão entre os dois sentidos. E sempre sou ultrapassada por carros em alta velocidade. Acho que nenhum dos radares está funcionando desde a Olimpíada, porque nunca vejo o flash da câmera, nem as placas dão informação sobre a quantos quilômetros estamos trafegando — alerta.
Procurada, a CET-Rio informa que vai mandar uma equipe para reposicionar os equipamentos, acrescentando que as câmeras, “possivelmente”, tiveram suas posições modificadas por vândalos. Sobre a hipótese de os radares estarem desligados ou com problemas de funcionamento, o órgão não se pronunciou.