Bombeiros criticam reformas de postos de salvamento no Rio

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posto_6fonte: O Globo

A reforma dos 12 postos de salvamento já começou, e a modernização dos 97 quiosques da orla da Barra e do Recreio, ao que tudo indica, vai sair. Se as notícias parecem boas para moradores da região e todos os que costumam desfrutar a orla do bairro, poderiam ser ainda melhores, segundo os primeiros beneficiados pelas mudanças, bombeiros e donos de quiosques. Os primeiros dizem que uma alteração importante nos postos, uma escada de frente para a areia, que permitisse agir mais rapidamente em casos de afogamento, não foi feita. E os comerciantes temem deixar de atender o público no verão, por causa das obras, acumulando prejuízo justamente nos meses em que mais faturam. Os dois projetos são de responsabilidade da concessionária Orla Rio.

O primeiro posto salva-vidas a ser reformado na orla da Barra foi o 6, entregue com cerimônia de inauguração na última sexta-feira. A reforma contemplou a parte superior da estrutura, onde ficam as instalações reservadas aos agentes. O próximo será o Posto 8, na altura do Terminal Alvorada. Mas os bombeiros não ficaram satisfeitos: dizem que a escada seria um item primordial no resgate aos banhistas.

— Sabe por que muitas vezes nós quase pisamos em quem está na areia quando vamos salvar alguém que está se afogando? É porque não podemos parar de olhar para a vítima: o afogado vai afundando, e, se deixarmos de seguir exatamente na direção em que ele está, depois corremos o risco de não encontrá-lo mais. Como eu posso proceder assim se, para sair do posto, tenho que usar uma escada que me leva primeiro ao calçadão? Só queremos o melhor para a população e a chance de executar nosso trabalho com excelência — reclama um sargento que pediu para não ter a identidade revelada.

O Corpo de Bombeiros (CBMERJ), em nota, informa que a construção de uma entrada e saída independente para os guarda-vidas, voltada para o mar, faz parte das reivindicações da classe e foi discutida durante as reuniões que vêm sendo realizadas desde agosto com representantes da Orla Rio, parlamentares ligados à Comissão Especial da Orla Marítima, funcionários da Secretaria Especial de Concessões e Parcerias Público-Privadas (Secpar) e integrantes da Associação de Bombeiros Militares do Estado do Rio de Janeiro (ABMERJ). Ainda segundo o CBMERJ, a corporação dará continuidade à discussão por entender que o equipamento é essencial, pois facilita o deslocamento no momento do socorro.

A Orla Rio, por sua vez, diz que os postos de salvamento têm o mesmo padrão desde a sua construção. Portanto, a demanda ainda deverá ser analisada pela prefeitura, já que alteraria o seu layout. A concessionária acrescenta que não se opõe à mudança, desde que ela seja custeada pelo Corpo de Bombeiros.

A empresa frisa ainda que não tem obrigação contratual de reformar os abrigos dos guarda-vidas, o que resolveu fazer após acordo costurado no grupo de trabalho montado em torno do tema. Armários, suportes, bancadas, iluminação, pintura e fiação elétrica, entre outros pedidos feitos pelos bombeiros, estão entre as melhorias realizadas, enumera. Feita a reforma, a corporação assina um termo de responsabilidade, assumindo o compromisso de manter o espaço como lhe foi entregue.

A Orla Rio não informou o custo da reforma dos postos de salvamento nem quando o trabalho estará concluído.

BANHEIROS E DECKS NOS QUIOSQUES

A insatisfação também ronda os comerciantes que trabalham na beira da praia. Quando a Orla Rio propôs uma reforma nos quiosques, eles se entusiasmaram, pois as melhorias representariam a possibilidade de dar um atendimento melhor ao público durante as Olimpíadas de 2016, e, consequentemente, provavelmente trariam aumento no faturamento. Pelo projeto, os quiosques ganhariam banheiros unissex, deque, cobertura mais extensa e uma área subterrânea, com despensa e caixa-d’água extra. O problema é que a Orla Rio ainda não tinha a licença necessária para realizá-lo integralmente. Com isso, ficou acordado que apenas seis quiosques, cujos donos concordaram em arcar com os R$ 150 mil necessários ao trabalho na área já existente das estruturas, seriam reformados de imediato, assim que a Secretaria municipal de Conservação (Seconserva) autorizasse a instalação de tapumes ao seu redor. Os demais comerciantes só teriam seus estabelecimentos modificados se a concessionária conseguisse aprovar o projeto definitivo, que tem obrigação de financiar e inclui o subsolo.

Na última terça-feira, porém, a Seconserva, responsável por conceder a autorização, junto com a Secretaria Especial de Concessões e Parcerias Público-Privadas (Secpar), informou ao GLOBO-Barra que a licença está à disposição da Orla Rio desde o último dia 30. Procurado novamente, o vice-presidente da concessionária, João Marcello Barreto, mostrou-se surpreso:

— Você está me dando uma notícia excelente, tanto para mim como para os operadores, mas eu preciso estar com o documento em minhas mãos. Acredito que ele chegue esta semana.

Barreto diz que a reforma dos seis quiosques que pagaram pelas obras parciais começará no máximo uma semana depois que ele tiver em mãos a documentação necessária, e seus donos serão ressarcidos. Os demais quiosques serão reformados em seguida, em cronograma a definir. O investimento da concessionária na reforma dos 97 quiosques, acrescenta, será de cerca de R$ 40 milhões. O executivo diz que as peças das novas instalações já estão sendo confeccionadas, e que a expectativa ainda é ter tudo pronto até as Olimpíadas:

— Pretendemos fazer as obras de 15 em 15 quiosques. Já estamos em contato com as construtoras, mas continuo aguardando a licença.

Proprietários de sete quiosques na Barra, os irmãos Joildo e Joilton Ferreira não pagaram pelas reformas parciais, e esperam ansiosos, agora, pelo início da implantação do projeto definitivo.

— A reforma, todos os quiosqueiros querem, mas estamos aqui desde 1985, e só vendemos bastante em dezembro e janeiro. No resto do ano, ficamos aqui catando dinheiro. Não podemos ficar fechados para obra no verão — diz Joildo.

Rosa Lameirinhas, presidente da Cooperativa de Quiosqueiros, torce para que as obras comecem logo:

— Nós queremos melhorar o serviço para os clientes, mas não temos condições; precisamos muito dessa renovação.